O que aprendemos com Protagonistas da história do mundo… mesmo se da pior maneira

Perante eventos como o fogo de Pedrógão Grande resultante de fenómenos naturais com uma baixa probabilidade de ocorrência, a pergunta perante o número de mortos avassalador será sempre… onde está Deus…

Num artigo que escrevi por ocasião das cheias na Madeira que Deus está com quem sofre e morre com quem morre. A justificação para isso é o facto de Deus estar mais próximo de nós do que nós de nós próprios. Isto é, um Deus próximo é um Deus que vive em nós, por nós. A questão infelizmente não está neste aspecto.

Num post anterior ainda referia que o grande desafio do mundo está em saber lidar com a contingência, ou seja, eventos que podiam não acontecer, mas acontecendo produzem efeito. E, em alguns casos como este, efeitos atrozes. O universo é história. A nossa vida é história. Quantos episódios não foram compreendidos depois de passado muito tempo. O tempo faz história, a contingência faz história e nós fazemos parte dessa história porque fazemos parte deste mundo e tempo.

A dificuldade legítima de aceitar o desfecho de saber que alguém (basta uma pessoa) morreu por causa de uma catástrofe natural, é pensar que podia acontecer a qualquer um de nós numa situação semelhante e sentir que a contingência no mundo nos mostra como não controlamos a nossa vida. E quem controla? Deus? A contingência?

A partir do momento em que somos humanos fazemos parte de uma história repleta de novidade, oportunidade, sentido e significado. Não há razões para os efeitos nocivos da contingência no mundo. Há apenas aquilo que soubemos construir em cada momento com as nossas vidas. A fragilidade da vida é motivo suficiente para fazer de cada momento, um momento único. Por isso, se não damos um sentido último a cada momento, no último momento pode ficar um desfecho sem sentido.

Tudo no mundo está relacionado com tudo. Não há momento da história do universo que não produza efeito nessa mesma história. Somos protagonistas dessa história, mesmo se partindo deste mundo físico por causa de uma catástrofe natural, o somos da pior maneira.

Não há palavras perfeitas para aqueles que perderam os seus familiares e amigos nesta tragédia. Não há consolo perfeito. Não há respostas para os inúmeros porquês. Resta apenas a memória de vidas que devem ser celebradas por aqueles que os amavam em primeira linha, e por todos nós. Vidas que tocaram outras vidas. Relacionamentos que transformaram vidas. As lágrimas limpam as cinzas coladas na face e esperamos que renovem o nosso olhar.

Pode ser que a partida inesperada daqueles que não sobreviveram nos ajude a valorizar cada momento da nossa vida, pois não sabemos o dia e a hora em que seremos nós os protagonistas.

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