Os truques da imaginação

Pensem em fadas, unicórnios, trolls, hobbits, elfos, duendes, o monstro do esparguete e… Deus! Faz sentido pôr tudo no mesmo saco? Um ateu diria que sim e a razão está em serem personagens que fazem parte da história humana que não se vêem. E o que não se vê, não existe. Não passa de um fruto da nossa imaginação.

Bom… um fotão também não se vê e enquanto não surgiram experiências como o efeito fotoeléctrico, poderiam ser consideradas fruto da imaginação. O mesmo poderíamos dizer com as partículas fundamentais do nosso universo. Enquanto não se construiu o Large Hadron Collider – LHC para os amigos – não teria sido possível verificar que o bosão Higgs existe mesmo. Então, o ateu dá um passo em frente e assume que, o que não vê, existe, desde que a ciência o demonstre. Como não há qualquer experiência científica que me permita verificar a existência de fadas , unicórnios, trolls, hobbits, elfos, duendes, o monstro do esparguete e… Deus, então, tais criaturas e… Criador não devem existir.

Bom… a intenção de um artista quando pinta um quadro memorável não se consegue verificar cientificamente, senão perguntando ao autor. Mas se o autor não está já entre nós, como posso verificar se a intenção existia? Quando olho para um quadro de arte moderna que para a maior parte das pessoas parecem uns rabiscos aleatórios, críticos de arte vêem coisas que, aparentemente, o comum mortal não vê. Logo, o crítico não passa de um crente seduzido pela enganadora imaginação? Não. O crítico tem uma sensibilidade maior para identificar os padrões naquilo que parece ser aleatório, sabe distinguir a espessura do traço e “vê” o movimento do pintor, como se o quadro fosse o resultado de uma dança entre o artista e a tela. Assim, através da história que o crítico faz na sua análise dessa dança consegue chegar a uma possível interpretação para a intenção do autor que, na realidade, existe.

Neste mundo há coisas reais materiais como o fotão, mas há também coisas reais imateriais como uma intenção artística. O desafio está em distinguir o que é real do que é fruto da imaginação. No caso da intenção é preciso um quadro real material para colocar a hipótese da intenção existir. No caso das fadas, unicórnios, trolls, hobbits, elfos, duendes, e o monstro do esparguete não há nada de material real que nos permita colocar a hipótese da sua existência. Todo o adulto maduro sabe que são fruto da imaginação humana. Então, por que razão a maior parte da humanidade não considera Deus também um fruto da sua imaginação?

Não há experiência científica que possa verificar Deus por ser a realidade que tudo determina, pois, a experiência teria de ser maior do que essa realidade, resultando num contra-senso.

Por muitos argumentos que tenhamos que nos permitam interpretar a existência de Deus, e que podem levar à conversão de ateus conceituados como Antony Flew, os conceitos de Deus são tantos que será sempre possível argumentar pela sua inexistência.

Será, então, justificável colocar fadas, unicórnios, trolls, hobbits, elfos, duendes, o monstro do esparguete e… Deus no mesmo saco? Sim… se cederes aos truques da imaginação. E esses truques pretendem levar-te a confundir percepção com imaginação. O ser humano tem consciência de si mesmo e uma capacidade insólita de percepcionar o mundo. Deus é uma percepção interior que levou o ser humano ao longo de milénios a encetar num caminho de descoberta de Deus que dura até hoje.

Esta é uma distinção fundamental.

Fadas, unicórnios, trolls, hobbits, elfos, duendes, o monstro do esparguete imaginam-se.

Mas Deus percepciona-se.

É por isso que meter tudo no mesmo saco são truques da imaginação.

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