“Desligião” explosiva

Quem não ficou chocado quando se apercebeu que o ataque terrorista em Manchester foi protagonizado por um jovem muçulmano de 22 anos? Não há palavras para descrever o que sentimos em momentos como este. Onde encontrar a esperança no meio de tanta dor…

O ISIS reclamou o atentado e afirmou ser de natureza religiosa. Muçulmanos da Comunidade Líbia que vive em Manchester ficaram perplexos. Um dos responsáveis partilhou que Abu Ismail, pai de Salman, o rapaz que se fez explodir, manifestou-se diversas vezes contra o ISIS dizendo “não é jihad, é criminalidade”. O comunicado do ISIS referia que o atentado foi motivado pela vingança da religião de Alá.

Não sei o que pensar…

Quando era novo aprendi que a palavra religião está relacionada com “religar”.
Nós e Deus.

Mas estes actos não ligam, desligam.

O que me faz confusão é como pode um jovem desligar-se assim da vida, bem como da vida dos outros?

Estes actos não são motivados por uma religião, mas ”desligião”, pois desligam-nos de Deus, dos outros e do mundo ao nosso redor.

Uma “desligião” explosiva.

Perante isto pergunto-me, ”o que posso eu fazer… o que podes tu fazer… o que podemos nós fazer?

Lembrei-me de 3 atitudes.

1. Saber distinguir

Não podemos confundir religião com “desligião”. A religião faz parte da vida do ser humano, independentemente de acreditarmos em Deus ou não. É aquela parte que nos liga ao que é mais íntimo em nós, está para além de nós e revoluciona a nossa vida orientando-a para o que é bom, belo e verdadeiro. Para uns a Verdade é fundamental na experiência religiosa. Outros chamam a essa Verdade, Deus.

2. Continuar a Acreditar

Estes momentos podem-nos desmotivar e levar a pensar que “o mundo está perdido”. Definitivamente. Mas não é verdade. Basta pensar em iniciativas como o United World Project para perceber que podemos – como dizem – olhar o mundo com uma perspectiva diferente. Mas a pergunta mantém-se: o que posso eu fazer… o que podes tu fazer?

3. Fazer pequenos actos de amor

Sim, podemos fazer pequenos actos de amor. No que toca ao diálogo entre ciência e fé, a maior parte das pessoas acredita mais naquilo que provém da ciência, do que da fé. Eu acredito na ciência. Tu acreditas na ciência. Nem todos acreditamos e acolhemos a fé.

Muito bem. Então, peguemos naquilo que a ciência nos diz.

Teoria do Caos. Já ouviste falar? É um ramo da matemática focado no comportamento de sistemas dinâmicos hiper-sensíveis às condições iniciais. O conceito mais conhecido é o efeito Borboleta. Esse afirma que pequenas causas podem gerar grandes efeitos.

O primeiro a apresentar esse conceito foi o meteorologista Americano Edward Lorentz numa conferência sob o título ”Previsibilidade: Será que o bater de asas de uma Borboleta no Brasil gera um tornado no Texas?” Ou seja, matematicamente, o pequeno gesto, o mais simples acto, pode desencadear uma sequência de eventos com consequências catastróficas.

Se assim é, então, ao realizar pequenos actos de amor podemos gerar uma sequência de eventos que pode evitar o disparo de uma bala. Posso dar um sorriso. Ajudar alguém a atravessar uma estrada. Estar atento aos meus colegas de trabalho. Escutar quem precisa de desabafar. Dar espaço no trânsito em vez de me irritar. Estar atento ao tom de voz quando falo com alguém. A imaginação é o nosso limite e todos somos criativos quando amamos de verdade.

Já pensaste que simples acto de amor podes fazer para – segundo a teoria do Caos – aumentar a probabilidade de transformar o mundo?

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