Quando Deus é uma página em branco à nossa frente

Os 3 passos para quando isso acontece

Gostaria de escrever alguma coisa e a única coisa que vejo diante de mim é uma página em branco. Foi nesse momento que pensei se não seria esta a experiência de um não-crente perante a realidade de Deus. Isto é, será que faz a experiência de estar perante uma página em branco sem saber bem o que pensar, dizer, fazer?

Por vezes acontece também o inverso. Ou seja, um crente perante Deus deseja ser uma página em branco onde Deus possa construir uma história. O problema é que, em ambos os casos, a caneta está na nossa mão. E enquanto não começarmos a escrever a nossa história, que significa fazer a nossa parte, a página manter-se-á em branco.

A questão de Deus é posta muitas vezes em causa porque a caneta com a qual queremos responder à questão tem uma tinta de limão, ou seja, por mais que peçamos a alguém para escrever a resposta por nós, essa não se lê enquanto não a iluminarmos com uma vela. A vela que permite ver é a nossa experiência pessoal. Só à luz da nossa experiência pessoal conseguiremos alguma vez vislumbrar que resposta Deus é para nós.

Por outro lado, por vezes queremos que a resposta seja escrita com uma tinta que possui exactamente a mesma cor que tem o papel onde escrevemos. Assim, se esse papel é a ciência, queremos responder com a caneta de cor ciência. A realidade é que a melhor forma de ver aquilo que se escreve numa folha com uma determinada cor, não é usar a mesma cor, mas aquela que mais contraste tem em relação à cor do papel. Daí a importância de outras cores como a teologia, uma caneta com um contraste perfeito em relação ao papel da ciência.

Então, se Deus é para nós uma página em branco onde não vemos nada escrito, o que fazer?

Passo n. 1

Rever a nossa experiência pessoal

A experiência de Deus e do seu amor faz-se no quotidiano. Nas mais pequenas coisas. Nos actos de amor que fazemos aos outros. Não é uma experiência racional, mas relacional. Por mais que pensemos sobre Deus, se apenas fizermos isso, Deus não passará, de facto, de uma ideia. E ideias podemos refutar. Mas experiências… bom, nesse caso é muito diferente. O lugar mais óbvio para fazer essa experiência é ir onde Deus parece estar menos, junto dos que mais sofrem e sofrer com eles.

Passo n. 2

Duvidar

Não há caminho mais nobre para descobrir Deus numa página em branco do que escrever as nossas dúvidas. As certezas são o maior inimigo da verdade porque nos fecham sobre nós próprios e sobre aquilo que “pensamos” saber. Só a dúvida pode levar à profundidade de uma página que não é bidimensional, ou tri-dimensional, mas para além de qualquer dimensão, como é a página de Deus.

Passo n. 3

Procurar

Mas ficarmo-nos pela dúvida é ainda insuficiente. É importante acolher o impulso que a dúvida nos dá de ir à procura. Sair da nossa zona de conforto e aceitar o desafio de procurar. Pode ser através de um livro sobre ciência e fé, ou um encontro de uma comunidade de crentes, ou mesmo meditar os textos que consideramos sagrados e nos contam a história que Deus já escreveu com a humanidade que nos precede. O segredo é não desistir porque – como está escrito – quem procura, encontra.

Já pensaste alguma vez em dar algum destes passos?

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