No Amor o Impossível

Hoje o sacerdote na missa das crianças disse algo muito interessante. Neste segundo domingo do Advento há um apelo à conversão. E aqui o mote.

Transformar o “eu” colocando um “D” do lado esquerdo e um “s” do lado direito. Logo, passar do “eu” a “Deus”.

De facto, quando converto uma unidade noutra, por exemplo, de metros a quilómetros, uso normalmente uma relação de escala. Neste caso divido por 1000, ou multiplico por 0.001. Em qualquer um deles converter significa adaptar a escala. Não é diferente numa conversão interior.

Um crente que pretende aprofundar a sua fé precisa de apreender a anular o seu “eu”, de modo a que “Deus” nele, e através dele, possa transformar o mundo por amor.

Então, e um não-crente? A conversão não tem sentido?

Eu penso que tem. Embora se manifeste de outra maneira.

Eu diria que um não-crente passa do “eu” ao “nós”.

Todos reconhecemos que um egoísta não vai longe porque é natural e evolucionário precisarmos uns dos outros. Embora Darwin tenha salientado a competição de espécies, são muitos os estudos que chamam a atenção para a importância (senão maior) da cooperação. Não é essa a experiência humana? Sozinhos até podemos chegar mais rápido, mas juntos vamos mais longe.

O “nós” do não-crente é entendido pelo crente como uma semente do Verbo.

O “Deus” do crente pode ser (como não sou não-crente não tenho a certeza) entendido pelo não-crente como uma semente de Humanidade, assumindo que o crente acredita num Deus-Amor.

O que é comum aos dois é que converter implicar transformar, e transformar é sempre uma oportunidade de melhorar.

O tempo de Natal tem a sua origem na celebração da fragilidade, esvaziamento, despojamento. A tradição, quer acreditemos ou não, é Cristã. Ou seja, está intrinsecamente ligada ao nascimento de um bebé, supostamente especial e inigualável. Nesse bebé, Deus fez-se frágil, esvaziando-se de Si mesmo, despojando-se de tudo o que é para potenciar o que nós poderemos ser.

E porquê?

Para quê?

Por amor.

Para sermos como Ele.

Se uma criança pode mudar a nossa vida fazendo de nós pais, não me admira que uma criança-Deus possa mudar o mundo. E não me refiro apenas à nossa história humana, mas também à lógica do mundo que mais do que ser conhecido, existe para ser amado. Assim como fizeram Teilhard de Chardin e Alfredo Dinis.

Que neste tempo saibamos descobrir como pode o lobo caminhar com o cordeiro. Ou seja, conseguir no amor o impossível. Basta um gesto concreto e expontâneo. É como uma pedra num charco. Desaparece e cria uma onda que se propaga. Contagia.

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