Redescobrir o prazer de ler

Percurso_com_MOP_CoverAviso que é muito provável que não concordem comigo. Como sabem publiquei há algum tempo um livro com diversos textos que durante alguns anos fui escrevendo para uma revista associada ao Movimento dos Focolares, a Cidade Nova. São textos relativamente sucintos, pensados para um público-alvo que não necessita de ter uma cultura científica, e que se questiona sobre como podem ciência e fé interagir. Penso que são textos que contêm diversas pistas nas entrelinhas e estou certo que não deixará ninguém indiferente. Mais ainda, dada a diversidade de temas abordados, estou certo também que a interação entre ciência e fé passará a ter um outro sabor.

O livro é relativamente fácil de adquirir. Basta um clique e já está … ok, é preciso ter conta na Amazon ou iTunes, mas de resto é fácil. E nem sequer é caro … €0.99 … “qual é, então, o desafio à venda deste livro?”

“Bom … Está apenas em formato digital

e isso não entrou muito ainda em Portugal :(”

Argumentos comuns

  • “Não é a mesma coisa que o papel.”
  • “Já estou demasiado tempo no computador, logo, mais ainda? Não me parece.”
  • “Não tenho jeito para coisas electrónicas.”
  • “Não tenho tempo.”
  • “Não me parece que seja seguro andar a fazer compras pela net.”

… E tantos outros.

Será esta a questão?

Tudo argumentos válidos.

paper-book-technology-verge-028

De facto, um livro em formato digital não é a mesma coisa do que um livro em papel, onde sinto a textura da folha, a suavidade da capa, a facilidade de leitura, etc. Bom, é claro que se não tiver o livro comigo num tempo de espera inesperado, ou se não houver uma luz adequada, não terei possibilidade de ler. Depois, não é que possa alterar o tamanho da letra, ou o espaçamento entre linhas, mas enfim, isso é o menos. Se houver uma imagem, também não a posso aumentar para visualizar o pormenor, apenas aproximar-me da página caso a vista já não esteja boa. Ainda, assumindo que consigo desenrascar-me em sites de venda de livros como a Wook em Portugal, ou a Amazon ao nível internacional – hoje em dia – felizmente que existem serviços de correio que me enviam o livro para casa, logo, não estou dependente de existirem ou não exemplares numa livraria. E o pagamento pode estar associado a um cartão apropriado para compras na web e, pela minha experiência, é muito seguro. Os bancos notam todas as transações estranhas e entram em contacto connosco. É muito eficiente. Mas se não me entender mesmo com compras on-line, é verdade que nem sempre é possível deslocar-me a uma livraria, pois o maior problema é o tempo, mas posso esperar pelas férias…

10_Reading

Há alguns desafios quando o tempo escasseia. Sempre que tenho um bocadinho para ler, não tenho o livro comigo, ou então sou interrompido e esqueço a linha da página (se não a própria página). É nesse momento que desenvolvemos algumas técnicas como usar um marcador do tipo post-it, um marcador de papel para a página e um post-it para a linha, ou dobrar o canto da página. Posso querer sublinhar, mas isso pode ser uma chatice do ponto de vista de quem irá ler a seguir. E chegados a este ponto questiono: “porque razão nos damos a tanto trabalho para ler?”

Dizem que “quem corre por gosto não cansa”. É verdade e o mesmo poderíamos dizer em relação a quem se dá a tanto trabalho quando lê, pois, ler dá tanto prazer que nos dispomos a muitos tipos de sacrifício. E se eu te dissesse que ler pode não dar tanto trabalho assim? E se todas as dificuldades que acima mencionei se tornassem, simplesmente, irrelevantes?

É essa a revolução do livro digital.

ipadreader

Com um livro digital eu leio quando quero, onde quero, quanto eu quero. Se houver uma promoção fantástica (tipo: grátis!) numa obra que me interessa particularmente, adquiri-la fica à distância de um clique e posso começar a ler de imediato. E sim – se a vista já não é o que era, posso aumentar o tamanho de letra e alterar o espaçamento entre linhas; sim, posso aumentar imagens para ver pormenores e se o autor decidir incluir algo mais numa nova edição, basta atualizar o livro que comprei e voilá tenho acesso a essas alterações! Posso sublinhar e emprestar o livro a outrem, sem que isso perturbe a leitura do livro. Remover sublinhados é a coisa mais fácil. Computador!?! Nem pensar! Entre tablet e smartphone, é só escolher o que me dá mais jeito. Por vezes começo a ler no tablet sentado no sofá e continuo no smartphone se tiver que ir à padaria comprar pão. Estranho andar por aí com um smartphone na mão a ler? Nem por isso. Basta fazer uma viagem de Metro ou comboio e ver como são tantas as pessoas que se fartam de ler no smartphone. Desde notícias a e-mails, Facebook e … livros!

Com o formato digital, o livro expande e liberta-se da forma restrita a papel, podendo assumir diversas formas (incluindo a de papel). A questão está em que, libertos da forma, tudo o que resta, tudo o que verdadeiramente interessa é o que sobressai: ler! Daí que a redescoberta do livro digital tenha sido – para mim – a redescoberta do prazer de ler. Por isso é que tenho lido uma média de 8 livros por mês. Sim … fazendo tudo o resto.

Advertisements