Melhor religião, mais ciência

Um dos argumentos que mais subscrevo do trabalho excelente realizado por Alfredo Dinis e João Paiva em “Educação, Ciência e Religião” é o de que mais ciência implica melhor religião.

Gostaria de expressar que a implicação recíproca também faz sentido. Ou seja, a de que melhor religião implica mais ciência.





O que quero dizer com melhor religião?

Em acordo com John Haught (aquando de um debate com Daniel Dennet e David Sloan Wilson), a religião é “uma tentativa de encontrar uma nova garantia em face da ameaça da insignificância da nossa existência [1]”. Essa é geralmente “encontrada na experiência de ser agarrado, ou transportado por aquilo que [pessoas religiosas] consideraram uma outra dimensão da realidade … para além do ambiente próximo em que vivem, e que é infinita no objeto, e inexaurível no seu mistério [2]”. Melhor religião neste contexto significa uma experiência mais consciente de existirem outras dimensões da realidade, que não apenas a que se restringe ao nosso ambiente. Um exemplo seria não restringir a visão do mundo à religiosa, limitando-a culturalmente, mas abrir-se também a uma visão científica, expandindo-a culturalmente, uma vez que correspondem a diferentes, e não competitivos, níveis de explicação da realidade na sua totalidade.

O que quero dizer com mais ciência?

A abertura a uma visão teológica significa a abertura da nossa compreensão à Verdade última da Realidade. Isto é, experimentar que a busca pela verdade impulsiona a nossa experiência de uma realidade escondida que nos atrai. Que depois de uma resposta, surgem mais perguntas. Que é necessário confiar na possibilidade intelectual de chegar à Verdade, mesmo que demore uma “eternidade”. Mais ciência significa deixar que o deslumbrar da Criação alimente o nosso espírito inquisidor, a nossa curiosidade de saber como é o mundo, de modo a enriquecer o porquê do mundo proveniente a experiência religiosa.

[1] “an attempt of find reassurance in the face of the threat of meaninglessness of people’s existence

[2] “found in the experience of being grasped by, or carried away by that they have taken to be another dimension of reality … other than the proximate environment that they live in there’s an ultimate environment that is infinite is scope, and inexhaustible in its mysteriousness

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