Um universo emergente por mudança de fase?

Uma equipa de cientistas australianos liderada por James Quach afirma num artigo recentemente publicado na “Physical Review D” que o início do universo não deveria ser modelado por algo como um “Big Bang”, mas antes um “Big Chill”. Um universo que se forma a partir de um processo análogo ao de uma mudança de fase da água que, desde um estado líquido amorfo, se cristaliza ao congelar. Assim, se investigarmos as estruturas tipicamente cristalinas, com fendas e espaços intersticiais, iremos revolucionar a nossa compreensão da natureza do Universo.

Em vez do pressuposto espaço-temporal contínuo assumido por Einstein, a teoria recentemente apresentada da “Graficidade Quântica” (não sei se esta seria a tradução adequada para Quantum Graphity, porém este último termo provém de gráficos) afirma que o espaço se constitui de blocos construtivos indivisíveis, como se de pequenos átomos se tratasse, ou píxeis numa imagem. O processo de arrefecimento por mudança de fase que levaria à sua cristalização num universo com três dimensões espaciais e uma temporal, teria deixado fendas (cracks), que sendo descobertas e investigadas poderiam suportar o argumento. Pelo facto da luz, ou outras partículas se dobrarem (bend) ou refletirem nesses defeitos, seria uma forma de os detectar, validando a teoria.

Embora esta seja uma teoria alternativa à do Big Bang, quais as implicações para com o conceito Cristão de Criação? É certo que a ciência recorre a imagens e metáforas para expressar de forma inteligível uma complexidade teórica, por isso não seria correcto pensar no estado amorfo como um líquido a pairar no espaço, mas sim essa como uma analogia usada para chegar ao processo importante da mudança de fase. Será que esta imagem possui alguma implicação em relação a um universo criado e ao seu Criador? A verificar-se a veracidade desta teoria, o que nos revela sobre a acção de Deus?

Agradeço o teu comentário.

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2 thoughts on “Um universo emergente por mudança de fase?

  1. Entre a nossa realidade humana e Deus situam-se possivelmente um ou mais níveis transcendentais, isto é, fora das nossas dimensões espacio-temporais. Nos niveis mais próximos das nossas dimensões é possível que exista uma espécie de “nevoeiro” ou “lama” metafísicos em que a realidade tal como a compreendemos em termos de tempo e espaço se “mistura” com essas dimensões transcendentais. Muitas noções da física quântica encontram-se a esse nível, certas partículas não se comportando como se obedecessem às leis das nossas dimensões. Vê isto por exemplo http://arxiv.org/pdf/1206.6224v2.pdf

    Infelizmente vou estar uns dias sem internet por isso só daqui a uma semana volto (o meu blogue está em modo piloto automático :))

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  2. Caro Faroleiro,

    obrigado pela referência a este artigo. Achei particularmente importante a última parte onde se afirma que “this experiment sheds a new light on the age-old question of free will. Apparently, a measurement's anticipation of a human choice made much later renders the choice fully deterministic, bound by earlier causes. One profound result, however, shows that this is not the case. The choice anticipated by the weak outcomes can become known only after that choice is actually made. This inaccessibility, which prevents all causal paradoxes like “killing one's grandfather,” secures human choice full freedom from both past and future constraints. A rigorous proof for this compatibility between TSVF and free choice is given elsewhere in detail [8].”

    Abraço

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