Acreditar em Deus ou na Fada dos Dentes …

Um dos argumentos dos “novos ateus” é que acreditar em Deus é o mesmo que acreditar na Fada dos Dentes. Será?

Alister McGrath, um dos mais assertivos críticos da abordagem “Dawkinsiana” de Deus, afirmou (segundo ouvi John Polkinghorne contar no ínício de uma conferência) que não há muita gente (para não dizer, ninguém …) que na fase adulta da sua vida passe a acreditar na Fada dos Dentes (ver um texto dele aqui), enquanto que a conversão à existência de Deus não é assim, por exemplo, Antony Flew. Ou seja, não se pode comparar Deus à Fada dos Dentes.

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13 thoughts on “Acreditar em Deus ou na Fada dos Dentes …

  1. Caro Miguel,

    Não há muitas pessoas a acreditar na fada dos dentes porque há alguém que diz que foi ele próprio que retirou o dente e colocou dinheiro…

    A figura de Deus é mais abragente, mais difusa, mais mutante do que as imagens definidas como a Fada dos Dentes. Como tal impossível de provar a existência do “fantasma”.

    Imagine que tem um fantasma debaixo da sua cama. Mas o fantasma só faz asneiras quando o Miguel está a dormir… Prove a inexistência do fantasma…

    cumprimentos,

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  2. Não se pode comparar Deus à Fada dos Dentes?
    Não se pode? Só a quem não interessa comparar é que pode ter a tentação de impedir a possibilidade de comparação…

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  3. Caro Anónimo,

    McGrath afirma na sua aula (recomendo a sua leitura) que

    «Why should we believe things that can't be scientifically proved? Faith in God, Dawkins argues, is just like believing in Santa Claus and the Tooth Fairy. When you grow up, you grow out of it.

    This is a schoolboy argument that has accidentally found its way into a grown-up discussion. It is as amateurish as it is unconvincing. There is no serious empirical evidence that people regard God, Santa Clause and the Tooth Fairy as being in the same category. I stopped believing in Santa Claus and the Tooth Fairy when I was about six years old. After being an atheist for some years, I discovered God when I was eighteen, and have never regarded this as some kind of infantile regression. As I noticed while researching The Twilight of Atheism, a large number of people come to believe in God in later life – when they are `grown up'. I have yet to meet anyone who came to believe in Santa Claus or the Tooth Fairy late in life.

    If Dawkins' rather simplistic argument has any plausibility, it requires a real analogy between God and Santa Claus to exist – which it clearly does not. Everyone knows that people do not regard belief in God as belonging to the same category as these childish beliefs. Dawkins, of course, argues that they both represent belief in non-existent entities. But this represents a very elementary confusion over which is the conclusion and which the presupposition of an argument.»

    Por outro lado, que experiência faço da inexistência de um fantasma? Um fantasma é um ser entre outros seres, uma causa entre outras causas. Logo, se é ser entre outros seres, se existe, “como” existe? Também é causa entre outras causas, logo, se existe deve manifestar-se “como” fantasmagórico, caso contrário, deverei concluir a sua inexistência.

    Ora, Deus não é um ser entre outros seres na visão Cristã do mundo, nem causa entre outras causas, mas o fundamento da existência enquanto tal. Assim, não se pode comparar Deus a Fadas, sendo essa comparação, inclusivé, infantil.

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  4. Caro Miguel,
    Concordo que a crença em Deus é infantil… porque acredita apenas porque quer acreditar e recusa observação independente. Tal como uma criança acredita no Pai Natal, na fada dos dentes ou em qualquer outra estorinha que contem…
    Como a estorinha da morte de Cristo na Páscoa… Não acha estranho lembrar a morte de alguém num dia móvel? Não acha estranho tentar fazer esquecer a festa Judaica de NISSAN?
    É realmente infantil não querer observar a realidade. Para não dizer próprio de um leigo.

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  5. Caro Anónimo,

    eu não afirmei que a crença em Deus era infantil, mas sim “comparar Deus a Fadas”. Assim como acreditar em Deus, não é o mesmo que acreditar numa fantasia. A diferença apontada por McGrath é suficientemente esclarecedora.

    Na Páscoa celebra-se a “morte e ressurreição” e não somente a morte. Por outro lado, não sei se é infantil reduzir a realidade ao que se pode observar, contudo, quando Jesus afirma que se não formos como crianças, não chegaremos ao “Reino dos Céus” estará a apelar à infantilidade?

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  6. A diferença apontada por McGrath é artificial e tem apenas como objectivo evitar olhar para a realidade…
    Não acha estranho lembrar a morte de alguém numa data móvel? Que respeito pela morte dessa pessoa é esse?

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  7. Caro Anónimo,

    não vejo como a diferença apontada por McGrath seja artificial, ou o que quer dizer com isso. Relativamente à Páscoa, os Cristãos fazem memória de um Deus Vivo porque ressuscitado e não de um Deus morto. A data em si é irrelevante perante o acontecimento da morte e ressurreição. O respeito pela morte está precisamente no relacionamento com Esse que vive e está presente entre nós.

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  8. Fé não precisa de comprovação ou argumentos. A pessoa realmente inteligente que tiver fé em algo sobrenatural, o que me parece um tanto contraditório, deveria assumir que sua crença independe da aprovação da ciência e dos métodos científicos. O problema e que isso demonstra falta de inteligência. Que dilema. Coitados dos crentes. Bom, eu resolvi isso aos meus 14 anos. Resolvi confiar na minha inteligência. Virei ateu. Dê você também um voto de confiança à sua inteligência e desconfie do que seus pais, seu sacerdote e seu livro sagrado lhe empurraram goela abaixo. Pense.

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  9. Caro Orlando,

    porque razão é contraditório ter fé e assumir que essa crença é independente da aprovação científica (o que quer que isto signifique neste contexto, que não sei) e dos métodos científicos? E ainda, porque razão isso é uma demonstração de falta de inteligência? Qual a relação entre as duas? Porque razão é inteligente “acreditar” no dogma de que um crente não confia na sua inteligência e por isso é necessário e suficiente que se vire ateu?

    Pense …

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  10. Caro Miguel
    Apesar de todos os “Porque razão?”, acho que você me entendeu.
    É, convenhamos, difícil de negar que quanto mais observamos e descobrimos sobre o universo e seus fenômenos, maior é o abismo entre ciência e religião (ou entre razão e fé, como quiser), apesar de alguns pseudo-cientistas religiosos tentarem construir frágeis pontes sobre o abismo. Também acho que não devemos crer em dogmas. Mas acho que o método científico deveria sim ser aplicado por todos nós na nossa crença religiosa assim como, muitas vezes, o fazemos no trabalho e em outras áreas do nosso cotidiano. A religião não deveria estar a salvo disso só porque o padre, o rabino ou o pastor disse que tem que ser assim. É claro que aqueles que tiveram uma “visão” ou uma “revelação” tem motivos a mais pra crer. Mas devemos ter cuidado com eles. Muito respeitosamente, boa noite, Miguel

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  11. Caro Orlando,

    pelo facto de ter colocado as questões, significa que não o entendi, assim como acho que o Orlando ainda não entendeu porque razão é ateu. Quanto mais observamos e descobrimos sobre o universo e os seus fenómenos, maior é a razão para construir pontes entre a ciência e a fé. A questão da ciência é “como?”. A questão da fé é “porquê?”. Ambas têm domínios de inquirição distintos. Pensar que um crente faz o que um padre, rabino, ou pastor lhe dizem é uma forma muito infantil de ver a religião e assentar o ateísmo nessa “crença” é muito frágil.

    Não tenho qualquer dúvida que quanto mais ciência, melhor religião. E que aquilo que apelida de pseudo-cientistas religiosos pode aplicar-se, eventualmente, a adeptos do intelligent design, mas não se aplica a pessoas como John Haught, John Polkinghorn, George Coyne, Robert John Russel Denis Edwards, Wolfhart Pannenberg, Celia Deane-Drummond, Francis Collins, Mariano Artigas, Guy Consolmagno, Ian Barbour, Sergio Rondinara, João Paiva, eu próprio, e tantos, tantos outros. Não é por acaso que em 2011 se editou um livro em Portugal intitulado “Deus na Universidade” com o testemunho de 39 professores e investigadores universitários sobre as suas razões de crer. Padecerão estes universitários de falta de inteligência? Seria arrogante afirmá-lo, não te parece?

    O abismo entre aqueles que “acreditam” num conflito entre ciência e fé , e a realidade dos factos, é cada vez maior. Por isso, sugiro que penses MESMO nas questões que te coloquei e sugiro-te, caso saibas inglês, o seguinte livro de John Haught: “Science and Faith: A New Introduction”. Nesse, John Haught posiciona-se também do lado dos não crentes e expõe bem a forma como pensam, e depois analisa essa forma à luz de alternativas a esse pensamento. Não há aqui qualquer proselitismo. Ninguém com alguma maturidade na fé pensa que todos os ateus se devem converter a uma religião, mas antes, que se devem converter ao diálogo, de modo a que ambos possamos beneficiar reciprocamente da experiência do outro.

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