Sobre o termo “espiritual” …

Num post anterior referi Maria Imaculada como um exemplo que Bento XVI dá que solucionaria a poluição do espírito no quadro de uma ecologia espiritual. O meu caro companheiro nesta aventura de diálogo entre crentes e não-crentes, Ludwig Krippahl, pediu-me que fizesse um post para

«explicar a diferença entre o espiritual, por um lado, e o conjunto do que chamamos emocional, psicológico, comportamental e afectivo.»

onde o ponto mais crucial seja mesmo o termo “espiritual”, uma vez que ao Ludwig parece que

«”espiritual” é um termo que, de tão vago que é, só serve para baralhar».

Sinto-me inadequado e limitado, por isso, faço este (longo) post no “espírito” daquilo que une crentes e não-crentes: a dúvida e a busca da verdade.

Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955), paleontólogo conhecido no seu tempo e sacerdote Jesuíta, pensava que tal como a vida deu origem à biosfera como seu incorporamento planetário, a mente deu origem à “noosfera”, a actividade mental colectiva do ser humano. Partindo daqui o físico de renome Harold J. Morowitz no seu “The Emergence of Everything” diz que «a próxima emergência depois da noosfera (…) é o movimento da mente a algo mais espiritual», remetendo esse facto para o futuro, mas relacionando-o ainda com Teilhard. Em quê?

Usando a analogia, Teilhard de Chardin diz-nos que

«as duas energias – da mente e da matéria, distribuídas respectivamente sobre as duas camadas do mundo (o interior e o exterior), apresentam no conjunto, o mesmo ritmo. Andam constantemente associadas e passam, de certo modo, uma para a outra. Mas parece impossível fazer com que as suas curvas se correspondam. Por um lado, apenas uma fracção ínfima de energia física é utilizada pelos desenvolvimentos mais elevados da energia espiritual. (…) Entre o interior e o exterior das coisas, as dependências energéticas são incontestáveis».

Morowitz argumenta que este problema de Teilhard se pode formalizar com as partes que compõem a energia livre de Gibbs:

DG = DH – TDS

onde S, a entropia, corresponde à parte informativa do estado termodinâmico do sistema. Por analogia, «é como se a energia livre de Gibbs pudesse ser dividida numa componente material e outra mental» (Morowitz, p. 176). Dado o seu carácter informacional, associando-se ao conhecimento que providencia ao observador do estado microscópico do sistema e não das trocas energéticas que são função da entalpia, a entropia possui como que um aspecto mental, que Teilhard se refere por vezes como energia espiritual (ambos devem ser entendidos como isomorfismos e não como descrições científicas do conceito de entropia). Logo, isto significa que não será a priori linear que o mental seja muito distinto do espiritual. Dito de outra forma, epistemicamente, não será fácil defender uma distinção clara entre o que é espiritual e aquilo a que chamamos de emocional, psicológico, comportamental e afectivo. E tal como António Damásio identifica o erro de Descartes na «separação abissal entre o corpo e a mente (…) Em concreto: a separação das operações mais refinadas da mente, para um lado, e da estrutura e funcionamento do organismo biológico, para o outro» (“Erro de Descartes”, p.255), parece-me também um erro separar o corporal do espiritual.

Como afirma Ratzinger na sua “Introdução ao Cristianismo”, «o raciocínio bíblico (…) pressupõe a unidade indivisa do ser humano, tanto assim que a Bíblia nem tem uma palavra para designar apenas o corpo (separado e distinto da alma); (…) o termo “alma” refere-se, na grande maioria dos casos, ao ser humano inteiro, tal como ele existe com a sua corporalidade» (p. 255). Aliás, é neste sentido de unidade intrínseca entre o que é corporal e espiritual que Ratzinger se refere à imortalidade quando esta «pretende transmitir uma ideia dialogal que abrange o ser humano como um todo: a essência do ser humano, a pessoa, continuará a existir; aquilo que amadureceu durante a existência terrena de espiritualidade corporificada e de corporalidade espiritualizada continuará a existir de outra maneira» (p. 258). É sobre esta visão relacional da essência humana que se insere o que se entende por “espiritual”. Toda a experiência espiritual é relacional, mas nem toda a experiência relacional é espiritual (basta pensar, muito simplesmente, na formação de moléculas).


Podemos questionar-nos: se o que é emocional, psicológico, comportamental e afectivo é “espiritual”, porque razão preciso desse termo? Se esse termo se concretiza em outros que entendo humanamente, porquê inventar um que me parece vago e que só serve para baralhar? Haverá algo relativo ao termo “espiritual” que justifique a sua existência? Qual a essência do termo?

Max Scheler (1874-1928) critica o pensamento Darwiniano quando nega haver uma diferença essencial entre o ser humano e o animal, porque ambos possuem inteligência, e com isso não reconhecem nele qualquer estatuto ontológico ou metafísico distinto. Ele afirma que o lugar único do homem na natureza vai para além da capacidade de escolher e da inteligência. A ele corresponde um novo princípio que transcende aquilo que chamamos “vida” no seu sentido mais geral, e que chama de “espírito”, «um termo que inclui o conceito de razão, mas que, juntamente com o pensamento conceptual, inclui também a intuição das essências e uma classe de actos voluntários e emocionais como a bondade, o amor, o remorso, a reverência, a maravilha, a felicidade, o desespero e o livre arbítrio» (“Man’s place in Nature, p. 36). O termo “espiritual” refere-se ao que faz parte da vida (e.g. o que é emocional, psicológico, comportamental e afectivo), mas inclui também o que a transcende, ou seja, aquilo que está para além do espaço e do tempo (Teilhard de Chardin, “Man’s place in nature”, Fontana Books, 1971, p. 116), o que justifica a razão de ser do próprio termo.

À questão da vaguez do termo, Max Scheler afirma que o ser espiritual «não está mais sujeito aos seus impulsos e ambiente (…) é “livre do ambiente” ou (…) “aberto ao mundo”». No primeiro caso, não se quer dizer que está à parte do seu ambiente, mas sim que não se restringe a ele, como o demonstra a cultura. No segundo caso, a abertura à «expansão ilimitada de toda a realidade possível» está co-presente em cada acto espiritual de conhecimento com base na experiência transcendental do sujeito (K. Rahner, “Foundations of Christian Faith”, Crossroad, 2002, p.20). Contudo, Scheler conclui que, por estes dois motivos, o espírito é objectividade, ou a determinação da natureza objectiva das coisas, pois «o espírito pertence apenas a um ser capaz de objectividade estrita» (Scheler, p. 37). Ou seja, o que é espiritual não determina as coisas em si, mas a sua natureza porque no ser humano existe a capacidade de ir para além de si mesmo no espaço e no tempo, dito de outra forma, existe a capacidade de se transcender a si mesmo. É a existência do próprio ser humano que manifesta a existência do “espiritual”, apesar da existência do “espiritual” não depender da existência humana.

A essência do termo está na unidade entre espírito e matéria quando se compreende o homem como aquele no qual existe uma tendência básica da matéria a descobrir-se a si mesma no espírito através de uma auto-transcendência (Karl Rahner). Do ponto de vista Cristão, Deus-Criador da Realidade, criou tudo o que é material e espiritual, pelo que uma dimensão da realidade não está em paralelo com a outra, mas têm mais em comum do que aquilo que as diferencia. Porém, apenas no ser humano podem matéria e espírito serem experimentados na sua real essência e unidade. O que é espiritual na pessoa humana manifesta-se no momento, impreciso no espaço e no tempo, em que se torna consciente em si mesma numa absoluta presença a si mesma, mas orientada para a realidade absoluta do totalmente Outro. Infinita interioridade na infinita exterioridade, onde a matéria é a condição que possibilita o outro objectivo que o mundo e o homem são para si mesmos. A matéria significa a condição para aquela alteridade que aliena o homem de si mesmo e, ao fazê-lo, devolve-o a si mesmo, isto é, o ser humano encontra-se a si mesmo no/pelo outro (Rahner, pp.182-183). Concordo com Rahner quando afirma que o relacionamento reciprocamente condicionado entre espírito e matéria não é, simplesmente, uma relação estática, mas tem uma história. «O Homem como espírito que se torna presente a si mesmo experimenta a sua auto-alienação como estendida no tempo, tal como a natureza com a história» (p. 184). A natureza intrínseca da matéria é desenvolver-se em direcção ao espírito. Não é tanto o que são as coisas, mas em que é que se tornam, tal como o demonstra o processo evolutivo. Este tornar-se deve ser entendido como tornar-se mais. Mais realidade, mais plenitude do ser. Segundo Rahner « se tornar-se é realmente para ser levado a sério, deve ser compreendido como uma real auto-transcendência, um superar-se a si mesmo como vazio que atinge activamente a sua plenitude» (noção de auto-transcendência activa). Contudo, «para que o princípio metafísico de causalidade não seja violado (…) esta auto-transcendência só pode ser compreendida como ocorrendo pelo poder da absoluta plenitude do ser» (p. 185).


Mas, se o espiritual e o material estão intrinsecamente ligados no ser humano, não será o espiritual ilusório e fruto da subjectividade daquele que o expressa?

Num outro post dizia que a personalidade de cada um funciona como um filtro das experiências pessoais, sobretudo as espirituais. Dada a ligação intrínseca entre o espiritual e material no ser humano, pode-se argumentar que uma experiência espiritual pode ser uma ilusão, mas não concluir que toda a experiência espiritual é uma ilusão. Aqui voltamos a Teilhard de Chardin. Enquanto o material é uma evidência exterior, o espiritual possui características interiores que não são tão evidentes, caso contrário, não consideraríamos a hipótese do espiritual poder ser ilusório. Ora, segundo Pannenberg, a ideia mais ousada de Teilhard foi ter combinado a interioridade espiritual dos fenómenos naturais com a energia na base dos processos naturais (W. Pannenberg, “Toward a Theology of Nature”, Westminster/John Knox, 1993, pp.130-131). Ao observar uma tendência nos fenómenos em direcção a um aumento da sua complexidade e unidade, Teilhard visiona uma dinâmica (ou energia como lhe chama) radial que explica a auto-transcendência dos fenómenos existentes. Isto pressupõe que o dinamismo do mundo, a energia na sua versão mais conceptual e não restrita às suas manifestações exteriores, é essencialmente espiritual e manifesta-se exteriormente pela história do cosmos, de tal modo que o ser humano, capaz de percepcionar o espiritual, e de o recusar, é a sua maior evidência. A história – segundo Rahner – «não é a continuação da mesma coisa, mas é, precisamente, o devir de algo novo, de algo mais e não meramente de outra coisa» (p. 186). O espiritual como dimensão “radial” da dinâmica transformativa do mundo manifesta-se na interioridade de todo o “algo mais” que ocorre no mundo, e a tendência para a unidade de tudo o que ocorre é a sua manifestação exterior. Qualquer outra tendência para a desunidade, fragmentação ou desintegração é uma espécie de “entropia espiritual” que resulta em falhas nos relacionamentos, isolamento e consequente perda do significado das coisas e do próprio ser (J. Crewdson, “Christian doctrine in the light of Michael Polanyi’s theory of personal knowledge”, Edwin Meller, 1994, p. 261). É este tipo de “poluição espiritual” que «torna a nossa cara menos sorridente, mais sombria, o que nos leva a não cumprimentar uns aos outros, a não olhar para o outro no rosto» (Bento XVI).

Para finalizar, toda esta complexa reflexão que manifesta a inadequação de quem a escreve e que avisei desde o início, provém da dúvida genuína de Krippahl que, explicitamente num comentário, se dispôs a deixar de parte o que pensa sobre o termo e a aceitar a forma como eu o usava. Perante a dúvida que ele levantou, a busca que me suscitou ocorreu no sentido de explorar tanto quanto possível a vertente de antropologia filosófica associada, enveredando menos por vias mais explicitamente teológicas, e mais por vias implicitamente teológicas. Para Krippahl «antes do Ben-U-Ron fazer efeito isto quase fez sentido». Perante essa constatação vinda de um não-crente, percebi que não sofremos para dar sentido ao que é espiritual, mas é precisamente a presença desta dimensão espiritual no mundo que dá sentido (até) ao sofrimento.

Advertisements

5 thoughts on “Sobre o termo “espiritual” …

  1. Miguel Oliveira Panão:

    Depois de saber que fazes investigação na area da termodinâmica não resisti a vir aqui criticar o teu post. Não porque saiba mais termodinâmica do que tu, mas porque posso apontar os pontos que saltam à vista e que não é preciso saber de termodinâmica para perceber que não têm seguimento lógico.

    Partes do pressuposto inicial que existe uma energia espiritual. E usas conceitos fisicos bem estabelecidos para aplicar a essa teoria para explicar o que é o espiritual.

    Convinha por conseguinte explicar primeiro o que é a energia espiritual e de que modo pode ser observada e medida, uma vez que pretendes usar leis cientificas sobre ela.

    E não é só aí que usas conceitos que necessitam explicação e evidencia experimental para que se possam tratar com o rigor que depois lhes tentas incutir:

    “«as duas energias – da mente e da matéria, distribuídas respectivamente sobre as duas camadas do mundo (o interior e o exterior),(…)”

    Objectivamente, o que é a energia da mente e o que é o mundo interior e exterior? Se o mundo interior é a mente, e a energia da mente é o processo mental normal, como é que fazes partes depois para dizer que é a entropia:

    “a entropia possui como que um aspecto mental, que Teilhard se refere por vezes como energia espiritual”

    Propões que seja porque “«é como se a energia livre de Gibbs pudesse ser dividida numa componente material e outra mental»? É que este tipo de coisas que começam com “é como se” são especulação que não podem passar para o “é”.

    Ou que seja sequer a energia livre, ou o trabalho realizado quimicamente por combustão da glicose. Avançando que o Ludwig já esmiuçou bastante esse tema e como propus não vou abordar a termodinâmica em detalhe porque não é preciso.

    E depois partes destas especulações mirabolantes para, sem justificação, aparte de uma argumento de autoridade, dizer que o homem TEM de ser diferente do animal e que essa diferença é o espirito:

    “lugar único do homem na natureza vai para além da capacidade de escolher e da inteligência. A ele corresponde um novo princípio que transcende aquilo que chamamos “vida” no seu sentido mais geral, e que chama de “espírito”, «um termo que inclui o conceito de razão, mas que, juntamente com o pensamento conceptual, inclui também a intuição das essências e uma classe de actos voluntários e emocionais como a bondade, o amor, o remorso, a reverência, a maravilha, a felicidade, o desespero e o livre arbítrio “

    Como é que isto surge? Como sabes que isto é real? Isto é uma afirmação não provada. Até porque se sabe que as emoções são fenómenos mentais. Que emergem do cérebro e da interacção deste com o corpo. Destroi o lobo frontal e ficas sem eles. Ainda que te possas mexer livremente e até Ter esta discussão.

    E depois ainda dizer que o “ (…)ou seja [o espiritual], aquilo que está para além do espaço e do tempo”. Mas como é que sabemos isso? Isto é apenas mais um postulado.

    E continuas com mais um apelo `a autoridade: “[o espiritual] não está mais sujeito aos seus impulsos e ambiente (…) é “livre do ambiente” ou (…) “aberto ao mundo”». Sinceramente, “livre do ambiente”???

    E etc, etc, etc…

    Não vale a pena sequer estar a falar de termodinâmica ou sequer estruturas dissipativas (o que até faria mais sentido), se queres definir uma coisa que nem existe porque tudo aponta em contrário. Não há nada no conceito de entropia que sugira daí podes tirar entidades extra-temporais e alheias ao ambiente que apenas existem em humanos!

    Não há nada na ciência que sugira isso!

    E quem quis misturar ciência com estes conceitos escorregadios foste tu. E a isso se chama pseudociência.

    Se queres dizer que isso é filosofia é outra história, mas se bem que eu não seja um filosofo não me parece que seja filosofia andar a colecionar apelos à autoridade, non sequitur, etc.

    Se me disseres que é teologia está bem. Mas não mistures com a ciência.

    Like

  2. Caro Joao,

    em primeiro lugar gostaria de agradecer o teu comentário no meu blog. Em segundo advertir-te que confundes argumentos e precipitas-te nas conclusões.

    Eu partilho da convicção que ciência e teologia podem interargir através do discurso filosófico. Nesse discurso são usadas metáforas, analogias ou símbolos, pelo que a leitura que fizeste do meu post foi levar as coisas à letra, tal como fazem os criacionistas. Quando ciência e teologia interagem, o resultado é mutuamente criativo, mas respeitando o domínio específico de ambas. É uma postura que não está patente na leitura que fazes dos meus argumentos ou reflexões e que levam a pensar e concluires coisas que não escrevi ou concluí.

    Não há qualquer justificação científica para aquilo que é espiritual, nem qualquer explicação teológica para um fenómeno estudado pela ciência. Há, sim, um aprofundamento da visão que se tem do mundo e da realidade, que está, obviamente, sujeita às opções filosóficas de cada um. Isto significa que podemos não partilhar das convicções do outro, mas devemos fazer o esforço para sermos serenos e honestos intelectualmente, tentando perceber em que ponto o outro está, de modo a ir ao seu encontro no diálogo fecundo de ideias.

    Dito isto …

    A “energia espiritual” é um termo que vem de Teilhard de Chardin e que lhe deu alguns problemas. Existe um artigo na Zygon que citei nos comentários ao post do Ludwig de Morowitz, Schmitz-Moormann e Salmon sobre isso. Eu optei por seguir a terminologia de Teilhard. Contudo, desde o início ele apela para a sua compreensão do ponto de vista do “interior” das coisas e não apenas do ponto de vista “exterior”, científico. É como se fossem duas faces da mesma moeda. Alguma vez viste uma moeda com uma só face?

    “Mente” é uma palavra que não tem apenas uma conotação neurológica, mas no seu sentido mais amplo é uma palavra intelectiva, que aponta para o inteligível, para aquilo que pode dar um sentido mais amplo à Realidade.

    Eu não pretendi usar leis científicas para explicar algo que cientificamente não é explicável pelo método das ciências naturais, uma vez que a dimensão espiritual está fora do domínio da ciência. Mas isso não quer dizer que as dimensões espiritual e material, que constituem a realidade na sua totalidade, exploradas pela teologia e ciência, não possam interagir. A ciência explora a dimensão espiritual na medida em que por si só, sem o ser humano, a ciência não existe, logo, na medida em que essa dimensão tem importância para quem faz ciência, pode ser uma fonte de motivação fundamental.

    Teilhard era paleontólogo, portanto cientista, mas era também sacerdote Jesuíta. Nos seus estudos sobre a evolução ele intui que a matéria-energia é algo mais do que puro material inerte, uma vez que a partir dessa interacção surge algo como a consciência.

    O facto do termo “energia” estar enraizado numa visão tradicionalmente material, torna difícil percebê-lo numa visão mais ampla do termo que inclui o sentido e significado das coisas em si. É por essa razão que Teilhard sente a necessidade de clarificar o que pensa sobre ele, assumindo que toda a energia é essencialmente psíquica, ou seja, do âmbito da “noosfera”. Essa “visão” de energia pouco ou nada se manifesta numa pedra, mas no ser humano manifesta-se como consciência de si. Este pensamento não deve ser lido como uma afirmação científica, mas filosófica.

    A ligação à entropia é feita por Morowitz, tendo em conta o significado que essa tem para a visão do mundo. A minha análise dirige-se, sobretudo, à ontologia por detrás das coisas e menos às coisas em si mesmas, que são como são, como a ciência as descreve e bem. O meu discurso dirige-se à profundidade que está na interioridade dos processos do mundo, ou seja, dirige-se às questões últimas do sentido e significado do mundo em que vivemos.

    Like

  3. Miguel Panão:

    Eu não digo que não pratiques boa ciencia. Não faço ideia, nem ponho isso em causa, dou de mão beijada que ninguem sabe mais termodinamica que tu.

    Apenas digo que a mistura que fazes das coisas é preversa. E que não é ciencia. E que não é filosofia.

    Os recursos filosoficos incluiem ferramentas como as que usei para te criticar. Eu não sou um filosofo, longe disso, mas tal como não sou um matematico e posso continuar a dizer que 1 mais um são 2 tambem posso dizer que essas ferramentas apontam para que o teu reciocinio não seja logico.

    O que sei de termodinamica aponta na mesma direçao.

    E o que sei de neurologia aponta na mesmissima direção novamente.

    Escrevi ja dois posts sobre este teu post no meu blogue.

    Não considero ter nada a acrescentar à discução neste momento, por isso vou lá por um update dizendo que me respondes-te.

    So para finalizar deixa-me dizer-te que o cerebro humano comete erros. Se é possivel chegar a coclusões diferentes por especulação, o tira teimas deve ser empirico.

    A autoridade máxima para mim é a prova empirica. Citações de 3º só contam raramente se se tiver de tomar o valor facial sem avaliar o argumento.

    Quando são assuntos de especialistas e em que existe um concenso entre eles, não me meto.

    Mas tu escolhes as citações e os especialistas. E não é o consenso sobre a matéria.

    E pior que tudo, não é assente em evidencia empirica.

    Eu tenho a mente aberta para isso. Para especulação à toa não.

    Like

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s