O que não é novo pode ser novidade?

Será que a Igreja (Católica) oprime quem faz ciência e apela à fé cega de quem crê?
É a Igreja a favor de um conflito entre fé e razão?

Conheci pessoas inteligentes, que têm por hábito pensar, e que responderiam SIM a ambas as questões. Contudo, a resposta certa seria NÃO e demonstra-o Bento XVI na reflexão que fez, em 30 de Outubro de 2009, aos participantes de um Colóquio patrocinado pelo Observatório do Vaticano por ocasião do Ano Internacional da Astronomia.

Bento XVI expressa gratidão por todos aqueles que estão «empenhados no contínuo diálogo e reflexão sobre a complementaridade entre fé e razão ao serviço de uma compreensão integral do homem e do seu lugar no universo». Pergunta ainda: «quem poderá negar que a responsabilidade pelo futuro da humanidade, o respeito pela natureza e pelo mundo que nos rodeia exige (…) uma observação cuidada, pensamento crítico, paciência e disciplina, tão essenciais ao método científico moderno?» Reconhece que «os grandes cientistas da era da descoberta lembram-nos que o verdadeiro conhecimento está sempre dirigido à sabedoria, e, em vez de restringir os olhos da mente, convidam-nos a elevar o nosso olhar para o reino mais elevado do espírito».

Como deve ser, então, compreendido esse verdadeiro conhecimento que leva à sabedoria?
Afirma Bento XVI que o «conhecimento (…) deve ser compreendido e perseguido com todo o seu fôlego libertador. Certamente que pode ser reduzido ao cálculo e à experimentação, porém, se aspira a ser sabedoria (…) deve comprometer-se em perseguir a verdade última que, enquanto está para além do nosso completo alcance, é, apesar de tudo, a chave da nossa autêntica felicidade e liberdade».

Restam ainda dúvidas quanto à consonância e diálogo que está presente no pensamento da Igreja (Católica) sobre fé e ciência?
Diz-nos ainda Bento XVI que a «cosmologia moderna mostrou-nos que nem nós, nem a terra onde estamos, é o centro do universo (…). No entanto (…) o desafio deste Ano [Internacional da Astronomia] é elevar os nossos olhos para os céus para redescobrir o nosso lugar no universo». Como proclama o salmista “quando contemplo os céus, obra das tuas mãos, a Lua e as estrelas que Tu criaste: que é o homem para te lembrares dele, o filho do homem para com ele te preocupares?” (Sl 8, 4-5).

A esperança do Papa, e de todos nós que nos revemos neste diálogo fecundo entre ciência e fé para uma visão mais integral da realidade na sua totalidade, é que o “maravilhoso e a exaltação«nos levem para além da contemplação das maravilhas da criação até à contemplação do Criador, e daquele Amor, que é motivo por detrás da criação – o Amor que (…) “move o sol e as outras estrelas” [Dante, Paradiso XXXIII, 145]».

Em suma, nada nesta reflexão do Papa é novo relativamente à forma como a Igreja experimenta o diálogo entre fé e ciência, mas acredito que para muitos esta postura possa ser uma novidade.
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